segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Precisamos falar sobre o anime de Tsukihime

Muito antes de Kara no Kyoukai e Fate/stay night serem animados, a Type-Moon teve um outro projeto que gerou bastante polêmica. Estou falando de Shingetsutan Tsukihime, anime lançado em 2003 e produzido pela JC Staff, muitas pessoas dizem que foi um tremendo de um fiasco, uma péssima adaptação, anime de Tsukihime não existe e entre outras coisas. Mas será mesmo que é tão ruim? Aproveitando o hype do lançamento do remake e também do jogo Melty Blood, por que não revisitar a história? 

Para quem não conhece a história vou dar um breve resumo. O protagonista é Tohno Shiki que, após sofrer um acidente de carro quando criança, começa a ver linhas em objetos e pessoas, ao passar uma simples faca nessas linhas, ele é capaz de destruir o que foi cortado. Para não ficar maluco com esse poder, uma feiticeira dá para Shiki um óculos que impede que ele veja essas linhas. Depois de 8 anos, Shiki que foi expulso de casa por seu pai quando criança, é convidado para voltar ao lar a convite de sua irmã. Nesse mesmo dia, ele tem um surto e acaba cortando sem hesitar uma mulher que passava por ele, mas para sua surpresa, ela não morreu depois de ser morta. Seu nome é Arcueid Brunestud, uma vampira. Ela pode não ter morrido, mas ficou extremamente fraca por se regenerar do ataque surpresa de Shiki e como forma de compensar o acidente, Arcueid pede para Shiki a acompanhar até que ela se regenere por completo. Juntos, eles vão atrás do vampiro que está sugando o sangue de várias pessoas na cidade. 


Mas então, é ruim? Não, não é, o anime é bom e eu vou explicar o motivo. Acredito que o maior problema foi a quantidade de episódios, Tsukihime é uma visual novel, e se você já jogou uma visual novel, sabe que ela é cheia de rotas e escolhas, adaptar tudo isso em apenas 12 episódios é uma tarefa difícil e muita coisa obviamente ficou de fora, mas na visão de quem não conhece o que foi cortado, a história é satisfatória. Qual é a trama? Arcueid e Shiki lutar juntos e, em paralelo, Shiki desvendar o segredo da familia dos Tohno e o que a Akiha está escondendo dele. Esses dois pontos são trabalhados no anime, tudo bem, pode ter sido um desfecho simples, deixando muita coisa de fora, mas para quem não conhece o que foi cortado, foi um final satisfatório.

Isso sem contar o clima que o diretor resolveu dar ao anime, ele é bem mais pé no chão e sério. Por exemplo, a Arcueid parece ser muito mais adulta no anime do que a versão que eu conheci jogando Melty Blood e ainda mais comparando com a sua versão do remake. Shiki parece ser muito mais um estudante normal do que um cara que esconde uma faceta de um assassino. Os outros personagens são desenvolvidos até o ponto que eles precisam ser desenvolvidos para a história seguir em frente e depois, infelizmente são esquecidos, mas é um preço a se pagar por causa do curto tempo. 

Sobre a animação, eu diria que é bem qualidade dos padrões dos animes de 2003, há cenas bonitas, mas há cenas que minha nossa senhora e as cenas de ação? Bem, a JC Staff é mais conhecida por fazer animes slice of life e não animes focados em lutas, claro que vez ou outra nós temos excelentes cenas de combate e coreografia, mas vindo da JC Staff são casos bem raros. Fazendo uma pesquisa rápida talvez eu tenha encontrando uma coisa interessante, na mesma época que Tsukihime estreou, existiu outro anime do mesmo estúdio: ROD TV. ROD é um ótimo anime que, olha só, é focado na ação com slice of life, posso estar teorizando agora, mas acho muito provável que o time de produção principal da JC Staff tenha ficado encarregado de animar ROD enquanto que o time secundário ficou cuidando de Tsukihime. E por causa disso, muito provavelmente, a escolha de deixar o anime focado mais no suspense e não na ação deve ter sido para evitar orçamento mais do que o necessário e também evitar cenas de ação mal feitas. Por isso que o anime foca muito mais no suspense e mistério do que nas cenas de ação que foram muito resumidas justamente para eles ganharem tempo para contar a história e também evitar gastos extras para animação. 

Segunda abertura de ROD TV

Mas novamente, foi ruim? Eu acredito que não, por causa da estética e narrativa que foi escolhia, eu não me incomodei com as cenas de lutas rápidas, eu não sei explicar bem, mas os personagens dos animes parecem ser mais realistas do que a versão da visual novel ou do manga, por isso é difícil imaginar esses personagens fazendo ações sobre humanas, claro que tem um ou outro personagem que faz as suas piruetas, mas imaginar por exemplo, o Shiki lutando como ele faz no manga e, provavelmente, na visual novel é um pouco mais complicado. 

E fica uma dúvida, por que a JC Staff preferiu optar por dar mais atenção para ROD TV do que Tsukihime? Existem duas possíveis explicações que consigo imaginar, a primeira delas é o retorno financeiro. ROD TV é uma série que já tinha uma animação anterior, um OVA de 3 episódios que foi muito bem recebido pela crítica e que, se você não assistiu, recomendo que assista, ainda mais se gosta de animes de ação. Tsukihime era mais um jogo adulto dentre vários que já tinha no mercado, e a Type-Moon não era tão famosa assim na época, arriscar a fazer uma adaptação de 26 episódios de um anime que, a primeira vista parecia igual a tantos outros, era arriscado, lembrando que em 2003 a visual novel de Fate/stay night ainda não tinha lançado. Outra explicação pode ter sido propositalmente feito desse jeito para alavancar a venda do jogo, muitos animes que saem por aí são na verdade grandes propagandas para alavancar a venda da obra original, quantos animes que você assistiu, gostou, mas nunca mais viu a segunda temporada dele e teve que ir atrás do manga ou light novel para continuar com a história? Essa é uma das estratégias que muitos fazem até hoje e dá bastante certo. Isso sem contar o marketing feito de boca a boca, fãs da série assistem o anime e encorajam outros que só assistiram a adaptação dizendo a famosa frase "no original é bem melhor", instigando a curiosidade dessas pessoas de irem atrás da Visual Novel para se aprofundar mais na série. 

O negócio é comprar a ideia que o diretor do anime quis passar, se você não compra essa ideia, não importa o que vai ser jogado na tela, você não vai gostar, por isso que muitos fãs do jogo não gostaram do anime por causas das adaptações. O diretor não quis expandir mais a história para evitar pontos soltos, por isso muita coisa foi "nerfada", é melhor simplificar a história e fazer ela compreensível para todos do que começar a colocar um monte de termos e regras que só quem é fã da visual novel vai entender e afastando possíveis novos interessados na história.

Você pode até não gostar do anime, mas precisa concordar comigo que a trilha sonora dele é coisa de outro mundo. Composta por Toshiyuki Omori, a trilha consegue acertar em todos os pontos, ela é um dos pontos mais altos do anime, você pode até ter se esquecido das cenas do anime, mas a trilha é um caso diferente, assim que ela começa a tocar você já associa com Tsukihime. Ela é a cara e alma do anime de Tsukihime, pelo menos eu não consigo imaginar o anime sem essa ela, é a mesma coisa querer assistir Kara no Kyoukai sem a trilha de Yuki Kajiura.


Resumindo, Tsukihime pode ter cometido falhas em sua adaptação, mas não foi por falta de competência do diretor Sakurabi Katsushi, mas sim de fatores externos. Inclusive ele já dirigiu alguns animes que gostei bastante como Flying Witch, Lostorage Incited WIXOSS e Alice to Zouroku. Mas se você tirar a mania de comparar o anime com a visual novel, você vai acabar descobrindo uma história boa para entreter e que vale muito assistir. Eu ainda não tive coragem para encarar a visual novel, mas fui atrás do manga de Tsukihime, sei que lá também tiverem cortes, mas é uma história bem mais completa do que o anime, aprofundando muito mais a relação do Shiki e seus olhos.

Se você nunca assistiu, eu recomendo. A piada é boa, mas anime de Tsukihime existe e não é uma droga como muitos dizem e pensam. Não é o melhor anime de todos, longe disso, mas é uma história que vale a pena assistir. Mas agora fica a expectativa, Heaven's Feel já acabou e muito provavelmente teremos o especial da Type Moon no final do ano, qual será a próxima grande obra que será adaptada? Será que teremos mais coisas de Fate como por exemplo Hollow Ataraxia? Ou será que com o lançamento de Tsukihime e Melty Blood, podemos esperar uma nova adaptação agora com todo o tempo e qualidade que ela merece? 

3 comentários:

Unknown disse...

Lembro de ter assistido este anime anos atrás, mas sinceramente, bem esquecível. Lembro que gostei do anime, mas não vou me recordar cena a cena (como fate, por exemplo). Mas de qualquer forma, anime bom.


Um remake pela ufotable muito bem vindo. Ou até por outro estúdio, pouco importa, o importante é sair.


Suzuki, sobre o post de retorno: caso faça um canal no YouTube, irei lhe seguir por gostar dos conteúdos que tu posta da Typemoon, mas particularmente prefiro textos/notas aqui no blog.

Enfim. Vai sair post sobre heavens feel lll ponto a ponto? Não consigo superar aquele berserker 3D, que coisa feia, de resto impecável.

Shirou Emiya disse...

Eu estava cogitando ler a VN de tsukihime depois que terminar a de UBW (que estou enrolando a meses)
Mas esse texto me deixou com vontade de assistir o anime de Tsukihime.

Suzuki.K disse...

Ainda está uma incognita o canal no youtube, quero fazer, mas não quero ao mesmo tempo hahahaha. Mas pretendo trazer sim um posto sobre Heaven's Feel, acho até melhor fazer um post da trilogia do que cada filme separado.

E Shirou Emiya, se assistir, comenta aí o que achou do anime!